sábado, 28 de abril de 2012

síntese do RCNEI NATUREZA E SOCIEDADE


OBJETIVOS GERAIS DE CIÊNCIAS NATURAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

         
            A concepção dos objetivos de Ciências Naturais ao nível de Ensino Fundamental tem por escopo fornecer ao aluno os conhecimentos necessários à compreensão do mundo, para que nele possa atuar, de forma consciente, como individuo e como cidadão.
           Deve-se ressaltar que os objetivos constantes na Introdução aos PCNs bem como aqueles inscritos nos Temas Transversais devem guardar coerência com esses objetivos da área de Ciências Naturais.
           Como exemplo de objetivos gerais podemos citar a capacidade que o aluno deve possuir, ao fim do Ensino Fundamental, de compreender a natureza como um todo dinâmico, constituindo o ser humano parte integrante e agente transformador do mundo em que vive.
           Relativamente aos conteúdos de Ciências Naturais abordados no Ensino Fundamental, importa referir que, para não receberem um enfoque estanque e isolado dos demais assuntos e áreas de conhecimento, são eles apresentados em blocos temáticos, fugindo de um padrão rígido e conferindo organização aos conteúdos.
          Desse modo, estabelecem conexões entre os conteúdos das demais áreas e dos temas transversais, dando relevo, dentro de cada bloco temático, aos conceitos fundamentais para a compreensão da temática em tela.
          A abordagem dos temas em Ciências Naturais deve priorizar uma perspectiva interdisciplinar e holística, para que os fenômenos naturais sejam compreendidos de forma integrada, partindo do estabelecimento de ligações conceituais entre as diferentes ciências.
          Assim, pode-se citar, para exemplificar, que uma contribuição para conceituação gerais é dada a partir da introdução dos conceitos de energia, matéria, espaço, tempo, sistema e equilíbrio, conceitos estes presentes em diferentes campos e ciências.
          Para a compreensão dos fenômenos naturais e dos conteúdos que a compõem, adotam as Ciências Naturais, como referenciais, uma gama considerável de conceitos centrais ao lado das explicações do senso comum, de base intuitiva.
           Oportunamente, deve-se ressaltar que a seleção dos conteúdos passa necessariamente pela fixação de critérios, demarcados a partir dos objetivos gerais da área em consonância com os fundamentos que os PCNs estabelecem.
          Com respeito aos blocos temáticos que perpassem o Ensino Fundamental, deve-se enfatizar, de início, que são quatro a seguir: 1)Ambiente; 2) Ser humano e saúde; 3) Recursos Tecnológicos; 4) Terra e Universo.
          A estruturação dos conteúdos através de temas é que irá embasar os conhecimentos a serem transmitidos, cabendo referir que, dentre as temáticas estabelecidas para o primeiro e segundo ciclos, duas são escolhidas repetidamente: 1) Ambiente e 2) Ser humano e saúde.         


AMBIENTE

          Hodiernamente, os meios de comunicação são veículos de informação na contemporaneidade, e, portanto, trazem notícias dos debates acerca dos problemas ambientais, sendo estas notícias portadoras de informações que alertam as populações mundiais. Cumpre à Escola o papel de assegurar a aquisição dos conceitos científicos destas informações e revisar estes conhecimentos.
          Importa, nesse particular, referenciar que é papel da Escola trabalhar a temática ambiental e as relações entre sociedade e ambiente, marcadas pelas necessidades humanas, por seus conhecimentos e valores. Isto porque a questão ambiental deve ser tratada no âmbito mundial, pois se problemas ambientais afetam a um país afetam a todos, já que tudo está interligado e nem a poluição nem os desastres naturais respeitam fronteiras. Assim sendo, podemos citar temas para discussão, como o aquecimento global, o buraco da camada de ozônio, a chuva ácida, a desertificação e o desmatamento. Com o propósito de encaminhar soluções, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprova e cria documentos (convenções, tratados) em conferências das nações signatárias, chamadas de COPs, conferências das partes, onde debatem ações para cumprir o tratado. Disso resultam os anexos ou protocolos, como o de Kyoto, que detalha medidas e metas para atingir esse objetivo. O Protocolo Kyoto, criado em 1997, no qual diversos países se comprometem em reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, é um tratado que foi prorrogado até 2017. E também na COP-17 ficou decidido que será criado um novo acordo global sobre o clima, que vai compreender todas as nações integrantes da UNFCCC; este novo acordo pretende substituir o protocolo Kyoto.
          É relevante rememorar as responsabilidades humanas voltadas ao bem-estar comum e ao desenvolvimento sustentado, na perspectiva da reversão da crise socioambiental planetária. Nesse sentido, aponta-se a necessidade de reconstrução da relação do binômio homem-natureza.  A Ecologia é o principal referencial teórico para os estudos ambientais, pois estuda as relações de interdependência entre os organismos vivos e destes com o componente sem vida do espaço que habitam, resultando em um sistema aberto denominado ecossistema. O enfoque destas relações ocorre no estudo das cadeias alimentares, dos níveis tróficos (produção, consumo e decomposição), dos ciclos de materiais e fluxos de energia da dinâmica das populações.
          Importa referir que os conceitos são compreendidos quando ampliados na abrangência das relações que compreendem uma totalidade de noções, que vão das mais específicas às generalizadas.
          Outrossim, tais conteúdos podem ser tratados em conexão com a dimensão essencial à educação, levando os sujeitos a ampliarem suas atitudes e modificarem suas maneiras de proceder em relação ao ambiente. Essa nova consciência, por exemplo, leva o sujeito a valorizar a reciclagem e a ter repúdio ao desperdício.
          Em síntese, para se tratar conteúdos tendo em vista o desenvolvimento de capacidades e valores inerentes à cidadania, é preciso que o conhecimento escolar não seja alheio ao debate ambiental travado pela comunidade e ofereça meios de o aluno participar, refletir e manifestar-se, ouvindo os membros da comunidade, engajando-se no processo do convívio democrático e da participação social.  


SER HUMANO E SAÚDE
            
          Este tema propõe as perspectivas atribuídas à concepção do corpo humano como um sistema integrado que interage com o ambiente, refletindo a história do sujeito. Importa compreender as relações fisiológicas e anatômicas inerentes ao mesmo.
          Esse ideário nos permite dizer que o corpo é a representação da  relação existente entre ele próprio e o meio ambiente no qual está inserido.
          Assim sendo, o corpo e o ambiente fundem-se num amalgama existencial de um sobre o outro e vice-versa. Cumpre aqui lembrar que a maneira e as interelações que se estabelecem entre o corpo e o ambiente, permitindo o fluir ou não das necessidades biológicas, afetivas e sociais, são os registros formadores do ser, sua arquitetura e seu funcionamento. Essas marcas revelam os ritmos individuais representados pela espécie humana. O corpo humano apresenta um padrão estrutural e funcional comum, mas cada corpo é único, bem como as impressões retiradas e absorvidas do ambiente também são individuais e desencadeadoras do equilíbrio dinâmico.
          É relevante mencionar a urgência de uma educação que abarque a necessidade da conscientização do corpo e do meio ambiente, de forma que estabeleça parâmetros educacionais que passem a formar consciências e, uma vez introjetadas, sejam intrínsecas de cada ser.
          Por outro lado, hábitos e atitudes equivocadas e distorcidas dizem respeito  a determinados condicionamentos estabelecidos pela cultura, que são realizados sem uma racionalização dos mesmos, como, por exemplo, a auto-medicação, cabendo à escola esclarecer  e subsidiar os conhecimentos dos alunos para extirpar tal prática.
          Nesse particular mencionado, podemos também lembrar que cabe à escola ser veículo de informação dos parâmetros científicos capazes de formar e, ao mesmo tempo, ser mola propulsora de conhecimentos que o aluno carregue consigo como valores, permitindo torná-lo capaz de entender o próximo e suas limitações, sendo assim fonte de abertura para as possibilidades de entendimentos frutificadores de uma sociedade mais justa e solidária.
          Cabe ainda mencionar que a Escola deverá ser a porta de abertura para ampliar a capacidade de o aluno racionalizar suas atitudes em busca do equilíbrio, dotando-o da capacidade de realizar escolhas adequadas, oferecendo conhecimentos e oportunidades para que ele conheça melhor a si mesmo, ao mesmo tempo em que amplia a percepção das necessidades do próximo.    


RECURSOS TECNOLÓGICOS

          Esse bloco temático nos leva a refletir a respeito das implicações que os recursos tecnológicos acarretam em nossas vidas. Esse desenvolvimento que se amplia no âmbito mundial transforma significativamente nossa relação com o meio ambiente.
          A cada período da história da humanidade fenômenos foram decisivos para estruturar a sociedade de maneira definitiva, como um degrau a mais que se alcançou. Como exemplo disso podemos citar o domínio do fogo, o uso da pedra lascada e polida, o desenvolvimento da agricultura, a criação de animais, a utilização do ouro e do cobre, etc. As técnicas rudimentares foram sendo aperfeiçoadas paulatinamente. Neste processo da convivência da utilização de técnicas antigas e ciências modernas e contemporâneas, assiste-se também ao aumento das mazelas sociais, da fome, da desnutrição e da mortalidade infantil, concomitantemente com o  aumento da produção e estocagem de alimentos e o desenvolvimento tecnológico na indústria farmacêutica e na medicina.
          Esta temática culmina com reflexões acerca das relações entre Ciência, Sociedade e Tecnologia, ampliadas nas questões éticas e valores atitudinais  compreendidos no percurso civilizacional que a humanidade vem enfrentando nos últimos séculos.
          Compreende-se aqui a emergência de tratar-se do corpo e do meio ambiente como formas associadas e não mais dissociadas na busca do equilíbrio. Neste sentido, amplia-se a dimensão da necessidade e da sustentabilidade dos recursos naturais, bem como dos estudos sobre a matéria, energia, espaço, tempo, transformação e sistemas aplicados, que medeiam as relações  do ser humano com o seu meio.
          Os recursos tecnológicos nos impelem a uma nova conscientização a respeito do homem e do meio ambiente, já que, devido aos ciberespaços, diminuíram as distâncias, promovendo a ampliação de nossa forma de ser e estar no mundo, pois compomos, hoje, uma aldeia global, onde não há mais lugar para a inércia, para o individualismo, estando todos, de alguma maneira e em alguma proporção, interligados e inter-relacinados: o Planeta  Terra é a nossa casa. Discorrendo, então nesse sentido, penso que seja fundamental a sustentabilidade do Planeta, e, para isso, temos na Educação nossa grande aliada e, talvez, a forma mais eficiente de agir em prol da sociedade e de plantar a semente do respeito à Natureza.
          Os alunos precisam participar cada vez mais de debates acerca das questões cruciais que dizem respeito ao homem, à sociedade e ao planeta, sentindo-se partícipes e responsáveis do processo civilizatório, recebendo, ao mesmo tempo, por parte dos educadores, estímulo para pesquisarem e aprofundarem suas teorias e questionamentos. Esse incentivo leva o aluno a levantar hipóteses, formular suposições e perguntas, devendo o professor respeitar o nível de amadurecimento correspondente a cada faixa etária, atitude que conduz à aprendizagem de procedimentos, ao desenvolvimento de valores e à construção da cidadania.

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